Estrutura |
|
Figura 2 - Formação da
estrutura quaternária da hemoglobina
Comparação da sequência de aminoácidos na hemoglobina e na
mioglobina
![]() Figura 3 -Sequência de aminoácidos da hemoglobina humana (cadeia α) e mioglobina humana
Figura 4 - Comparação da sequência de aminoácidos da hemoglobina humana (cadeia α) e mioglobina humana
Hemoglobina é constituída por quatro cadeias polipeptídicas. A hemoglobina dos vertebrados, o transportador de oxigénio nas hemácias, é constituída por quatro cadeias polipeptídicas, duas de um tipo, e duas de outro. As quatro são mantidas juntas por ligações não covalentes. Cada uma contém um grupo heme e um só centro de ligação ao oxigénio. A hemoglobina A, a principal dos adultos, é constituída por duas cadeias alfa (α) e duas beta (β). Uma outra hemoglobina nos adultos (cerca de 2% da hemoglobina total) é a hemoglobina A2, na qual as cadeias β são substituídas por cadeias delta (δ). Sendo assim, a composição da hemoglobina A é α2 β2 e da hemoglobina A2 é α2δ2. Os embriões e fetos apresentam hemoglobinas diferentes. Logo após a concepção, os embriões sintetizam cadeias zeta (ξ), que são cadeias do tipo α; e cadeias épsilon (ε), que são do tipo (β). No decurso do desenvolvimento, ξ é trocado por α, e ε é trocado por gama (γ) e depois por β. A principal hemoglobina durante os dois terços terminais da vida fetal é a hemoglobina F, cuja composição em sub-unidades é α2γ2. As cadeias α e ξ contém 141 aminoácidos e as cadeias β, γ e δ contém 146. Logo, a hemoglobina consiste em vários polipéptideos que diferem entre si. As interacções das subunidades determinam a capacidade da hemoglobina de transportar O2, CO2 e H+, atendendo às condições fisiológicas.
![]() Figura 5 - Estrutura quaternária da hemoglobina
A estrutura quaternária da hemoglobina muda acentuadamente pela
oxigenação O Ferro Move-se em Direcção ao Plano do Heme Quando o Oxigénio se Liga Na mioglobina não oxigenada, o ferro do heme situa-se cerca de 0,03 nm (0,3 Ǻ) fora do plano do anel, na direcção de His F8. Na mioglobina oxigenada, uma molécula de oxigénio ocupa a sexta posição de coordenação do átomo de ferro que, então, se situa apenas a cerca de 0,01 nm (0,1 Ǻ) fora do plano do heme. A oxigenação da hemoglobina é, portanto, acompanhada pelo movimento do átomo de ferro e, consequentemente, pelo movimento de His F8 e os resíduos ligados covalentemente a His F8, em direcção ao plano do anel. Este movimento gera uma nova conformação das porções da proteína.
![]() Figura 6 - Transição da hemoglobina da forma T para a forma R
Ao contrário da mioglobina, a hemoglobina é uma proteína tetramérica Ao contrário da mioglobina, que não apresenta estrutura quaternária, as hemoglobinas são proteínas tetraméricas, consistindo de pares de 2 polipeptídeos diferentes ou unidades monoméricas (denominadas ą, ß, γ ...). Não obstante similares nos seus comprimentos, os polipeptídeos ą (141 resíduos) e ß (146 resíduos) da hemoglobina A (HbA), são codificados por diferentes genes e apresentam diferentes estruturas primárias. Em contraste, as estruturas primárias, ß, γ, δ das cadeias polipeptídicas das hemoglobinas humanas conservaram firmemente as suas estruturas primárias. As estruturas tetraméricas das hemoglobinas comuns são: HbA (hemoglobina normal adulto) = ą,2ß2 ,HbF (hemoglobina fetal) = ą,2γ2 HbS (hemoglobina da célula falciforme) = ą,2S2 e HbA2 (hemoglobina adulta “minor”) = ą,2δ2.
Figura 7 - Comparação entre mioglobina e hemoglobina
As estruturas secundárias e
terciárias da mioglobina e das subunidades β da Hemoglobina são
quase idênticas
Figura 8 -
Mioglobina
e Sub-unidade β da Hemoglobina
O 2,3-Difosfoglicerato (DPG) estabiliza a estrutura T da hemoglobina Nos tecidos periféricos, a deficiência de oxigénio determina uma acumulação de 2,3- difosfoglicerato (DPG). Este composto é formado de um intermediário glicolítico, o 1,2-difosfoglicerato. Uma molécula de DPG liga-se à hemoglobina tetramérica, numa cavidade central, formada pelas 4 subunidades. A cavidade central tem tamanho suficiente para acomodar o DPG somente quando o espaço entre as hélices da cadeia β é suficientemente largo, isto é, quando a hemoglobina está na sua forma T. O DPG está ligado por pontes salinas entre os seus átomos de oxigénio e ambas as cadeias beta via resíduos de amino, grupos N-terminais (Val NA1), Lys EF6 e His H21. Assim, o DPG estabiliza a forma T, a forma desoxigenada, da hemoglobina, por ligação cruzada das cadeias beta, e contribui, adicionalmente, para a formação de pontes salinas, que devem ser rompidas para que a forma T se “transforme” na forma R da hemoglobina. O DPG liga-se com menor afinidade à hemoglobina fetal, do que à adulta, porque o resíduo H21, da cadeia gama da hemoglobina fetal é a serina em vez da His que não pode participar na formação da ponte salina (que mantém o DPG na cavidade central). Portanto, o DPG tem um efeito menos pronunciado na estabilidade da forma T da hemoglobina fetal e é responsável pela maior afinidade que a hemoglobina fetal apresenta para o oxigénio quando comparada com a hemoglobina do adulto. (saber mais...) O indicador da transição entre as formas R e T da hemoglobina é o movimento do ferro para dentro e para fora do anel porfirínico. Factores estéricos e electrostáticos regulam a iniciação com uma energia livre de 3000 calorias por mol. Assim, a mudança mínima da posição do Fe2- em relação ao anel porfirínico induz significativa mudança na conformação da hemoglobina e produz efeitos cruciais nas suas funções biológicas, em resposta a factores externos.
|