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BCM II Introdução
Disciplina semestral do 1 ano do curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).


MENSAGEM DO REGENTE

Em Janeiro de 2005 lia-se na Science, a propósito do recente terramoto de Sumatra-Andanam: "nature reminded the world of the terrible cost of ignorance". É que o saber, todo e qualquer saber, ocupa de facto lugar, o primeiro lugar na defesa da vida e da humanidade. Revistas científicas como a Science, a par de muitas outras mais ou menos especializadas em diversos temas, têm contribuído sobremaneira para a sua construção, mas o tamanho da nossa ignorância continua incalculável. Procurar o conhecimento e transmiti-lo é dever de todos nós.

No âmbito do curso de Medicina, compete à Biologia Celular e Molecular introduzir os seus alunos nos mistérios da organização e funcionamento da célula enquanto estrutura basilar da vida. Tarefa ingrata porque o muito que se sabe é ainda muito pouco, mas gratificante porque alimenta com inúmeras interrogações a curiosidade e o gosto por procurar saber mais. É por isso que docentes e alunos se articulam na disciplina como peças complementares na construção do saber: enquanto uns procuram ensinar os mecanismos básicos da organização molecular da célula, outros vão-se colocando questões que, através da pesquisa que daí necessariamente decorre, acabam por se constituir elas próprias em parte considerável do currículo da disciplina.

Poderá julgar-se, atentando à linguagem hermética, tão distante da que é habitualmente empregue na prática clínica, que os temas são áridos e dificilmente enquadráveis na perspectiva médica. Importa, por isso, fazer notar que a compreensão dos processos patológicos e o seu diagnóstico e terapêutica passam cada vez mais pelo conhecimento dos mecanismos de funcionamento da célula, enquanto pormenores estruturais aparentemente insignificantes podem revelar-se, quando menos se espera, particularmente relevantes na etiopatogenia de diversas doenças. A título de exemplo, fica a transcrição de alguns excertos de um artigo da Science de Agosto de 2006 intitulado "The primary cilium as the cell’s antenna: signaling at a sensory organelle" :

"Almost every vertebrate cell has a specialized cell surface projection called a primary cilium. Although these structures were first described more than a century ago, the full scope of their functions remains poorly understood. Here we review emerging evidence that in addition to their well-established roles in sight, smell and mechanosensation, primary cilia are key participants in intercellular signalling. This new appreciation of primary cilia as cellular antennae that sense a wide variety of signals could help explain why ciliary defects underlie such a wide range of human disorders, including retinal degeneration, polycystic kidney disease, Bardet-Biedl syndrome, and neural tube defects." "Primary cilia of kidney epithelial cells sense urine flow and control cell proliferation. Deflection of the primary cilium caused by flow within the nephron tubule is detected by PC1 and PC2, two transmembrane proteins. Flow induces Ca2+ influx through PC2 and maintains STAT6 and P100 in a complex bound to the tail of PC1. Flow also leads to upregulation of Inversin, which targets cytoplasmic Dsh for degradation by the proteossome. In the absence of flow, Ca2+ influx is reduced and the tail of PC1 is cleaved, allowing P100 and STAT6 to translocate to the nucleus and activate transcription. Lack of flow also reduces Inversin levels, stabilizing Dsh levels and permitting β-catenin to initiate transcription of canonical Wnt pathway target genes." "defects in ciliary mechanosensation result in the cell activating this "no flow"; response even in the presence of normal urine production, leading to unregulated cell proliferation and cyst formation." (Science, 313: 629-633)

Para todos votos de bom trabalho

Deolinda Lima